A primeira semana da Casa do Patrão termina com o jogo já desenhado. Em três dias, Luis Fellipe Alvim assumiu o comando, dividiu os 18 confinados entre privilégio e tarefa pesada, e Boninho — que dirige o reality da Record — interrompeu uma oração, multou um peão e ameaçou eliminar quem desviar o foco do jogo. Antes mesmo da primeira votação do Tá na Reta, dá pra ler o tabuleiro.
A primeira aliança não foi escolhida — foi imposta
Quando Luis Fellipe venceu a Prova do Patrão na estreia (27/04), ele ganhou direito a algo que define o ritmo do reality: escolher quem fica de qual lado. A Record divide os participantes em três casas — Patrão (com privilégios, comandada pelo soberano da semana), Trampo (com tarefas pesadas) e Convivência. E, ao contrário de outros realitys, isso não é votado pelo grupo. É decisão unilateral do Patrão.
Luis Fellipe escolheu como aliados — chamados pelo programa de “parças” — cinco homens: Alexandre Vinicius, João Victor Cassoli, Jovan Nascimento, Marcelo Skova e Vivão. Entre as mulheres, ficaram com privilégios na Casa do Patrão Andressa Karoline, Morena, Nataly Silva e Nikita Salvador, segundo a NSC Total e a Folha Vitória.
Para a Casa do Trampo foram oito: Bianca Becker e Thiago Monteiro (cozinha), Mariana Bernardino (louças), Jackson da Fonseca e Luiza Parlote (serviço direto ao Patrão), Marina Keller (banheiro), Matheus Barros (limpeza geral) e Sheila Barbosa (lavanderia).
A divisão importa porque o jogo, no formato do Boninho, ainda não tem voto popular semanal. Quem entra no Tá na Reta — versão Casa do Patrão para o paredão — depende de poder, indicação direta e dinâmica interna. Estar entre os “parças” do Patrão da semana é, na prática, ganhar uma camada de proteção.
As tretas que já marcaram a primeira semana
Mesmo com o jogo recém-iniciado, três episódios concentraram a atenção das redes nas primeiras 48 horas:
A treta da nojeira no banheiro. Na terça (28), Jovan reuniu o grupo para reclamar que alguém tinha urinado no chão do banheiro. Marina Keller, designada justamente para a limpeza dos sanitários, sugeriu publicamente que os homens passassem a “mijar sentado” — argumento que, segundo ela, faria bem para a saúde masculina. Jovan concordou com humor, segundo o iBahia e o Contigo!, e a tensão virou piada. Mas a cena viralizou.
A multa de R$ 100 em Jackson. Ainda na estreia, Jackson da Fonseca decidiu servir os outros sem autorização, e Boninho aplicou uma multa de R$ 100. A Itatiaia descreve a postura do diretor como “ultimato” desde a primeira hora.
A oração interrompida. Talvez a cena mais divisiva. No almoço de terça, Nataly Silva iniciou uma oração coletiva à mesa. Pelo sistema de áudio que Boninho usa para falar com a casa, ele cortou: “Senhores, é jogo, não é reunião. É isso.” A frase, reportada pela CNN Brasil e por Correio Braziliense, virou bordão na timeline. Boninho deixou claro que o reality não tolera “movimentos coletivos” que não estejam atrelados à dinâmica.
Some-se a isso a treta das quentinhas — o impasse sobre como dividir as refeições da Casa do Trampo, que segundo a Folha Vitória passou a primeira madrugada na pauta dos peões — e o cenário é de panela fervente antes do primeiro voto.
O peso de Boninho como personagem do jogo
A leitura editorial inevitável da primeira semana é que Boninho não está só dirigindo o programa: ele virou personagem dele. As multas, o corte da oração e o aviso público de eliminar quem “desviar o foco” desenham um diretor que intervém na linha do tempo do jogo, e não só na edição posterior.
Isso muda o cálculo das alianças. No BBB que ele dirigiu por décadas, as alianças se fechavam contra “o sistema” como abstração. Aqui, o sistema tem rosto, voz e sai do controle do estúdio para mandar bronca em quem reza antes do almoço. Para o leitor, vale prestar atenção em quem absorve esse tom e em quem reage mal a ele — porque a postura diante do diretor, neste formato, parece importar tanto quanto a postura diante dos colegas.
O que esperar do primeiro Tá na Reta
A primeira berlinda — exibida na noite desta quarta (29) — chega num momento em que o tabuleiro ainda é frágil. Os “parças” do Luis Fellipe não passaram por uma prova de pressão real. Os peões da Casa do Trampo ainda não viraram a chave para usar o ressentimento como combustível de jogo. E a relação dos confinados com Boninho como interventor é a primeira variável instável de todas.
O que dá pra cravar é o seguinte: estar perto do Patrão protege, mas não isenta — a oração da Nataly mostrou que o diretor enxerga cada um como peça da partida, independentemente de quem sentou ao lado de quem. E estar na Casa do Trampo é desconfortável, mas concentra holofote: Marina virou meme antes de pisar na primeira prova, e a presença de Bianca Becker no time do Trampo é a história em si — ex-Casa de Vidro do BBB, ela trouxe nome reconhecível e foi imediatamente colocada na cozinha, função que historicamente vira gerador de treta nesse tipo de formato.
A primeira semana da Casa do Patrão entregou, em três dias, mais material editorial do que muito reality entrega em duas. O Tá na Reta diz quem sai. As alianças e tretas dizem o resto.





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