A primeira semana de “Casa do Patrão” já dá sinais preocupantes para a Record. O reality dirigido por Boninho perdeu 36% da audiência entre a estreia e a terça-feira seguinte, registrou falhas técnicas em transmissões ao vivo e teve a condução de Leandro Hassum criticada por jornalistas e telespectadores. Os números deixaram o programa abaixo do que “A Grande Conquista” entregava no mesmo horário.
Os números, na ordem
A estreia em 27 de abril marcou 4,7 pontos de média na Grande SP, segundo dados publicados por colunistas especializados. Já o episódio de 5 de maio caiu para 3,0 pontos — uma queda de 36% em pouco mais de uma semana. Para efeito de comparação, “A Grande Conquista”, que ocupava o mesmo slot na grade da Record antes da chegada de Hassum, vinha entregando média mais alta. Não é raro que reality novo recue depois do fôlego inicial; o que chama atenção aqui é a velocidade do recuo e o coro convergente da crítica.
Três problemas combinados
Em coluna no jornal O Tempo, Martim Jesus deu nota zero para a primeira semana de Hassum, dizendo que “ele se perdeu várias vezes” e que a tarefa pedia “mais jogo de cintura, energia e emoção”. Em paralelo, no Observatório da TV, João Biott atribuiu o desempenho irregular à estratégia de Boninho, projetando “novo fracasso na carreira” do diretor. Reclamações do público convergem em três pontos: imagem com qualidade abaixo do esperado em alguns episódios, áudio com falhas (microfone de participante mudo durante prova), e o corte abrupto de uma transmissão ao vivo para abrir espaço ao jornalismo, que deixou o resultado da disputa para ser anunciado nas redes sociais minutos depois. A combinação dessas três frentes — técnica, condução e edição — alimentou rejeição rápida nas redes.
O que a Record pode (e deve) corrigir
Reality dirigido por Boninho herda a expectativa do BBB — e a comparação cobra alto. Falhas técnicas se resolvem com semana de operação ajustada e mais ensaio entre apresentador e equipe. Já o desafio da condução de Hassum é estrutural: ele veio do humor e estreia em formato ao vivo de longa duração, contexto em que carisma sozinho não basta. A grande pergunta editorial dos próximos 15 dias é se a Record está disposta a recalibrar o programa em tempo real, ou se vai apostar que a novidade do formato — confinamento com classes sociais e Patrão semanal — segura o público até a virada do jogo. Por ora, os indicadores dizem que o segundo cenário precisa de algo a mais.





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