Aos 53 anos, depois de três décadas trabalhando no humor — primeiro no teatro, depois como uma das caras do Zorra Total na Globo, depois como Jorginho em Os Caras de Pau, depois ainda como protagonista de comédias de bilheteria — Leandro Hassum estreou em 27 de abril numa função que ele nunca tinha exercido antes: apresentar um reality show grande, ao vivo, em horário nobre. A escolha de Boninho para abrir a Casa do Patrão na Record com o nome dele à frente é uma aposta que diz tanto sobre o programa quanto sobre o futuro do próprio Hassum na TV brasileira pós-Globo.
A trajetória que levou até a Casa do Patrão
Hassum começou no teatro ainda jovem e cresceu profissionalmente dentro do Zorra Total, onde permaneceu cerca de dez anos como parte do elenco fixo do humorístico dominical da Globo. O salto de visibilidade veio com Os Caras de Pau, série em que viveu Jorginho — papel que virou personagem de cultura pop e abriu espaço para outras séries da casa, como Chapa Quente e A Cara do Pai.
No cinema, Hassum se firmou como um dos motores das comédias brasileiras de bilheteria nos anos 2010, com Até Que a Sorte nos Separe e O Candidato Honesto entre os títulos mais lembrados.
Em 2019, o ator deixou de ter contrato fixo com a Globo. A primeira aventura como apresentador veio logo em seguida: Tá Pago, talk show no canal TNT — formato fora do reality e do humor, mais próximo da entrevista descontraída. Foi o primeiro teste dele em frente às câmeras como o cara que conduz o programa, não como o ator que faz o número.
Entre 2019 e 2025, Hassum migrou entre projetos avulsos — papéis em séries de streaming, participações em programas, longas independentes. Não tinha emissora-casa e não estava em nenhum reality. Quando o telefone da Boninho tocou, em 2025, oferecendo a apresentação da Casa do Patrão, ele aceitou.
Por que Boninho escolheu Hassum
Em coletivas e cobertura pré-estreia, Boninho explicou a escolha em uma frase que viralizou: ele queria alguém com capacidade de observar e traduzir relações humanas — não um jornalista, não um animador de plateia. Em programa que vai falar de convivência, poder e decisões econômicas, segundo a leitura de Boninho replicada pelo Correio Braziliense e pela CNN Brasil, ter alguém que entende personagem ajuda mais do que ter alguém que entende voto popular.
O próprio Hassum, em entrevista pré-estreia ao Correio Braziliense, admitiu que aceitou justamente para fugir do rótulo de humorista. A oportunidade era assumir uma função séria sem precisar parar de ser ele mesmo. O comando do reality não pede que ele faça piada — pede que ele leia a casa.
É um cálculo profissional inteligente. Sabrina Sato fez movimento parecido em 2026 ao assumir o comando da segunda temporada de Minha Mãe com Seu Pai no Globoplay: humorista/atriz vira apresentadora de reality que exige sensibilidade, e o público começa a vê-la em outra chave.
A primeira semana: tropeços que viralizaram
A estreia, no entanto, não foi exatamente tranquila. Pelo menos uma gafe ao vivo — em que Hassum se desculpou em pleno programa — viralizou nas redes em 27 e 28 de abril, segundo cobertura de Mais Novela e Metrópoles. O Purepeople listou “Hassum fora do tom” entre os cinco principais erros das primeiras 48 horas do programa, contrabalanceando com cinco acertos do reality (formato, elenco diverso, direção firme do Boninho).
Tropeço de estreia é normal. Apresentar reality ao vivo exige reflexo de improviso que não se constrói em ensaio — quem passou por essa cadeira nos últimos anos enfrentou recepção fria nas primeiras semanas e foi ganhando o público à medida que se adaptava ao formato. O risco é justamente dar tempo demais ao apresentador para se ajustar enquanto a temporada perde audiência.
A pergunta para a Casa do Patrão é se Hassum vai ajustar o tom entre maio e junho. Se sim, ele vira o “rosto Record” do programa por toda a temporada. Se não, a Record terá que decidir se segura, repactua ou adapta o formato — algo que aconteceu poucas vezes em estreias recentes.
O que está em jogo pra ele
Três coisas:
1. A reinvenção profissional. Se ele entrega bem a temporada, vira nome no perfil “apresentador de reality e talk” — função relativamente escassa no mercado brasileiro — o que abre porta pra outras frentes pós-Casa do Patrão.
2. A relação Record-TV 4.0. Hassum foi escolha de Boninho. Se Hassum não engatar, é o crédito do diretor que se queima junto. Se engatar, ambos ganham.
3. O legado dele como protagonista do humor brasileiro. Aceitar uma função séria pode parecer um movimento de fuga, mas é também um movimento de maturidade — Hassum entra no time dos atores brasileiros que decidem expandir repertório em vez de ficar preso ao papel de marca. Já fizeram isso, com sucesso, nomes como Lázaro Ramos e Sabrina Sato.
A 13ª semana da Casa do Patrão diz mais sobre Hassum do que sobre o reality. É lá que dá pra ler se a aposta funcionou — depois de três meses, com adaptação ao formato, e sem o nervosismo da estreia.
Para acompanhar análises e perfis dos outros apresentadores em ação no calendário 2026, o Geek Realitys mantém o calendário completo em geekrealitys.com.br/calendario-2026.





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