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Pesadelo na Cozinha

Quem é Erick Jacquin, o chef francês que virou figura nacional

Aos 5 anos de Pesadelo na Cozinha e 13 de MasterChef, Jacquin é talvez o francês mais brasileiro da TV. Conheça a trajetória do chef que fechou o próprio restaurante.

Erick Jacquin posando com faca em tábua na arte oficial da 5a temporada de Pesadelo na Cozinha
Erick Jacquin na 5a temporada de Pesadelo na Cozinha. Foto: Divulgacao/Band

Aos 5 anos de Pesadelo na Cozinha e 13 de MasterChef Brasil, Erick Jacquin é talvez o chef francês mais brasileiro da TV. Sustenta a 5ª temporada de Pesadelo como apresentador-jurado-vilão-querido com a mesma diretiva que fez a marca dele: vê o detalhe que ninguém vê, fala alto, e ganhou o Brasil porque, antes de virar figura nacional, fechou o próprio restaurante.

Da França à TV brasileira

Jacquin é francês de formação clássica. Começou na cozinha aos 14 anos — idade em que outros chefs estão escolhendo entre cursinho e técnico — e carrega até hoje a régua da brigade francesa: hierarquia rígida, chef no topo, qualidade não negociável. Em entrevista exclusiva à Tela Viva publicada em fevereiro de 2026, ele resume a gramática da formação: “Fui criado em uma escola antiga, comecei aos 14 anos e o respeito ao chef era absoluto. Hoje tudo mudou e é difícil se adaptar quando você vem dessa formação.”

A migração para o Brasil aconteceu há mais de duas décadas. Jacquin abriu restaurantes, fez nome no circuito gastronômico paulistano e foi cooptado pela TV no boom da gastronomia em rede aberta — chegou ao MasterChef Brasil em 2014 (1ª temporada Band) e construiu a partir dali a persona de jurado-explosivo-mas-empático que viria a sustentar Pesadelo na Cozinha quatro anos depois.

O Pesadelo que ele assina há 5 temporadas

Pesadelo na Cozinha estreou no Brasil com Jacquin como apresentador único — uma escolha editorial diferente do original americano (que rodou com Gordon Ramsay). A 5ª temporada estreou em 20 de fevereiro de 2026 no Discovery Home & Health e na HBO Max (sextas, 20h40), e em 24 de fevereiro na Band (terças, 22h30), em coprodução entre Warner Bros. Discovery e Band. São 12 episódios.

A novidade desta edição é geográfica. Pela primeira vez na história do programa, Jacquin sai de São Paulo: visita restaurantes em Porto Seguro (BA), Belo Horizonte (MG), Foz do Iguaçu (PR), Santo André e São Bernardo do Campo (ABC paulista), além da capital. “Há muitos restaurantes em São Paulo, mas o Brasil é enorme. Existem tantos estabelecimentos que daria para produzir quatro milhões de temporadas, pois há lugares que a gente nem imagina como funcionam”, afirmou ele à Tela Viva.

Erick Jacquin gesticula numa cozinha de restaurante em cena de Pesadelo na Cozinha
Jacquin em ação em um dos restaurantes visitados pela 5ª temporada. Foto: Divulgação/Band

A obsessão pela higiene

Existe um traço editorial que faz Pesadelo na Cozinha funcionar de forma tão consistente: Jacquin não suaviza a inspeção. Ele entra no estoque, abre a geladeira, levanta a tampa do freezer — e quando vê algo errado, fala. Em entrevista, deu o exemplo mais cinematográfico da 5ª temporada: “Tem coisas que nem dá para imaginar, é nojento mesmo. Já fui em restaurante sem geladeira, com freezer quebrado. Em outro, caiu uma barata enorme no pescoço de uma funcionária e o dono negava que tinham insetos ali, mas eu vi.”

A frase que sintetiza o método dele veio na mesma entrevista, e é talvez a melhor síntese de todo o programa em quatro palavras: “Limpeza não é qualidade, é obrigação.”

É o tipo de fala que vira slogan editorial e mira no público que assiste reality de gastronomia para ver alguém impor critério. Em país que historicamente tem fiscalização vigiada irregular nesse setor, Pesadelo encontra audiência exatamente porque transforma a inspeção em entretenimento sem perder a régua.

O Jacquin que fechou um restaurante

O dado mais humano do perfil profissional de Jacquin — e que aparece pouco na cobertura tradicional — é a derrocada anterior à TV. “Há 12 anos, passei por muitas dificuldades e fechei meu restaurante. Foi a minha maior faculdade, a escola da vida”, contou ele à Tela Viva. “Hoje, entendo que a mercadoria principal de um restaurante é o dinheiro e que o chef deve obedecer ao financeiro e não gastar o que não tem.”

Esse pedaço da biografia explica por que Pesadelo funciona quando funciona. Quem inspeciona os restaurantes não é o francês perfeccionista de fora — é o cara que já fechou o próprio negócio e sabe exatamente como uma operação morre. A simpatia que ele costuma despertar no proprietário ao final de cada episódio nasce daí: Jacquin é severo, mas não é distante. Ele entende a derrota.

Por que a temporada 5 importa pra carreira dele

Há uma leitura editorial sobre o momento de Jacquin. Ele entra na 5ª temporada de Pesadelo aos 60+ anos, com o MasterChef Brasil prestes a estrear sua 13ª edição em 19 de maio (Band/HBO Max), e com presença consolidada como figura pop. Em outras palavras: ele não precisa mais provar nada — mas escolheu a temporada mais ambiciosa do Pesadelo, com viagem por 4 estados, 55 pessoas de equipe e logística de filmagem em ABC paulista, BA, MG e PR.

“Viajar para gravar não é só pegar um avião, chegar ao aeroporto e depois ir filmar. É uma logística para transportar as câmeras e todo o material necessário. Alguns integrantes da equipe viajam dias antes de caminhão para preparar tudo — são 55 pessoas trabalhando pesado”, descreveu o chef à Tela Viva. É o tipo de operação que sustenta o argumento de que Pesadelo, depois de quatro temporadas, ainda pode encontrar coisas inéditas — porque mudou o cenário, não a régua.

A regra editorial — “ele rebate quando o cara se defende”

Há uma escolha de produção que Jacquin verbaliza, e que explica boa parte do tom do programa: ele não procura submissão, procura confronto. “Reconheço que, às vezes, passo do limite, e o Gabriel (Hein, o diretor) me ajuda a contornar a situação, dizendo para usar da ironia e falar de uma forma mais tranquila. Mas gosto quando os personagens rebatem comigo, porque buscamos pessoas que se defendem, isso deixa o programa mais autêntico”, afirmou.

É um detalhe revelador: Jacquin sabe que Pesadelo não funciona com proprietário calado. Funciona quando há embate. E a produção parece selecionar restaurantes não só pela necessidade de salvação, mas pela disposição do dono em discutir de igual para igual.

O que esperar daqui pra frente

Jacquin segue com agenda dupla em 2026: Pesadelo na Cozinha 5 vai até maio (~12 episódios) e o MasterChef Brasil 13 estreia em 19 de maio com mais quatro meses de exibição até setembro. É o tipo de presença simultânea que poucos chefs no mundo sustentam — e que, no Brasil, transformou um francês formado na disciplina rígida da escola clássica em uma das vozes mais reconhecíveis da TV nacional.

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